"A IGREJA NÃO
PASSARÁ PELA GRANDE TRIBULAÇÃO"
Texto: Apocalipse 3.10 - "Porque
guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da
provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam
sobre a terra."
Introdução: Vivemos dias em que a escatologia
tem despertado grande interesse. Nunca houve tantas discussões sobre
arrebatamento, Grande Tribulação, Anticristo e a volta de Cristo. Ao mesmo
tempo, nunca houve tanta confusão. Diversas interpretações são apresentadas em
livros, vídeos, podcasts e redes sociais, deixando muitos cristãos inseguros
quanto ao futuro da Igreja.
Entretanto, acima de qualquer sistema
teológico ou opinião humana, permanece a autoridade absoluta da Palavra de
Deus. E é justamente nessa Palavra que encontramos uma das mais consoladoras
promessas de Cristo à Sua Igreja: "Também eu te guardarei da hora da
provação."
Essa promessa foi dirigida à igreja de
Filadélfia, uma igreja pequena, sem grande influência política ou econômica,
mas rica em fidelidade. Ela havia guardado a Palavra de Cristo, perseverado em
meio às dificuldades e permanecido firme quando muitos desistiam. Em resposta,
o Senhor faz uma promessa extraordinária: preservá-la da hora da provação que
alcançará o mundo inteiro.
Essa declaração não é apenas um incentivo à
perseverança; ela revela o cuidado do Supremo Pastor por Sua Igreja e aponta
para um princípio espiritual que atravessa toda a Escritura: Deus sempre
distingue aqueles que lhe pertencem quando executa Seus juízos. Assim como Noé
foi preservado antes do dilúvio, Ló foi retirado antes da destruição de Sodoma
e Israel foi protegido enquanto o Egito era julgado, Cristo promete guardar Sua
Igreja da hora do juízo mundial.
Apocalipse 3.10 nos convida a olhar além das
circunstâncias presentes e a viver com os olhos voltados para a esperança da
volta de Cristo. A questão central não é descobrir datas ou alimentar
curiosidades proféticas, mas viver em constante fidelidade, porque aquele que
prometeu voltar é fiel para cumprir Sua Palavra.
A Igreja e a Grande Tribulação: por que
Cristo promete livrar Sua Igreja?
Uma das maiores discussões da escatologia não
é se haverá uma Grande Tribulação — isso praticamente todas as correntes
cristãs afirmam, mas quem estará na terra durante esse período. O
pré-tribulacionismo entende que a Igreja será arrebatada antes desse tempo de
juízo.
1. Deus trabalha com diferentes grupos ao
longo da história
A Bíblia distingue claramente três grupos: "Não
vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco
para a igreja de Deus." (1 Coríntios 10.32)
Paulo identifica: Judeus; Gentios; Igreja.
A Igreja não substitui Israel, nem Israel
substitui a Igreja.
Cada grupo possui um papel distinto no plano
redentor de Deus.
Hoje, Deus está formando Sua Igreja dentre
judeus e gentios unidos em Cristo (Efésios 2.14-16). ¹⁴ Porque ele é a nossa
paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que
estava no meio, ¹⁵ Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos
mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um
novo homem, fazendo a paz, ¹⁶ E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um
corpo, matando com ela as inimizades.
2. A Grande Tribulação tem foco em Israel e
nas nações
Jeremias chama esse período de: "Tempo
da angústia de Jacó." (Jeremias 30.7 Ah! Porque aquele dia é tão grande,
que não houve outro semelhante; e é tempo de angústia para Jacó; ele, porém,
será salvo dela.
Observe: Não diz: "Angústia da
Igreja."
Mas: "Angústia de Jacó."
Daniel também mostra que as setenta semanas
foram determinadas sobre: "...o teu povo e a tua santa cidade."
(Daniel 9.24 Setenta semanas estão
determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a
transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer
a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo.
O "teu povo" é Israel.
A "tua santa cidade" é Jerusalém.
O propósito da Tribulação inclui: disciplinar
Israel; conduzir um remanescente ao arrependimento; preparar a nação para reconhecer o Messias;
executar juízo sobre as nações rebeldes.
3. A Igreja já cumpriu seu propósito terreno
Apocalipse 2 e 3 tratam das igrejas.
No capítulo 4 João ouve: "Sobe para
aqui."
A partir daí, a palavra "igreja"
desaparece das cenas terrestres de Apocalipse até o retorno de Cristo em
Apocalipse 19.
Enquanto isso aparecem: Israel; as doze
tribos; os 144 mil; duas testemunhas; multidões convertidas durante a
Tribulação.
Isso é visto pelos pré-tribulacionistas como
um forte indício de que a Igreja já não está na terra.
4. Os 144 mil pregam durante a Tribulação
Apocalipse 7 identifica claramente: 144 mil
provenientes das doze tribos de Israel.
Eles não representam a Igreja.
São judeus separados por Deus para uma missão
específica naquele período.
O centro da mensagem volta-se para o Reino
Messiânico e para o reconhecimento de Jesus como o Messias prometido.
Um argumento lógico em favor do arrebatamento
antes da Tribulação
Jesus ensinou que Sua vinda para buscar Sua
Igreja será inesperada.
Ele disse: "Mas considerai isto: se o
pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria
e não deixaria minar a sua casa. Mateus 24:43
Paulo afirma:
"O Dia do Senhor virá como ladrão de
noite." (1 Tessalonicenses 5.2)
E ainda: "Num momento, num abrir e
fechar de olhos..." (1 Coríntios 15.52)
Essas expressões comunicam imprevisibilidade.
Se o arrebatamento ocorresse na metade ou no
fim da Tribulação, muitos argumentam que bastaria identificar o início da
Tribulação e contar os períodos proféticos descritos em Daniel e Apocalipse
(como os 1.260 dias, 42 meses e "tempo, tempos e metade de um
tempo"). Assim, o momento da vinda de Cristo para reunir os santos
deixaria de ser iminente e passaria a ser calculável.
Dentro da perspectiva pré-tribulacionista,
isso enfraqueceria a doutrina da iminência, segundo a qual a Igreja deve viver
continuamente vigilante porque Cristo pode voltar a qualquer momento.
O teste da fidelidade perderia seu caráter
constante?
O Novo Testamento chama a Igreja a viver em
vigilância permanente.
Jesus repetiu: "Vigiai."
"Estai preparados." "Não sabeis o dia nem a hora."
Se fosse possível determinar exatamente
quando Cristo viria buscar a Igreja, alguns argumentam que muitos poderiam
adiar sua obediência até os últimos momentos, o que parece contrariar o chamado
bíblico à vigilância diária.
O pré-tribulacionismo entende que justamente
por não haver data conhecida, cada geração é convocada a permanecer fiel o
tempo todo.
A Tribulação será diferente de qualquer
sofrimento anterior
Jesus declarou: "Porque haverá então
grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem
jamais haverá." (Mateus 24.21)
Será um período singular: juízo divino; ira
de Deus; manifestações sobrenaturais; governo do Anticristo; perseguição
mundial; catástrofes sem precedentes.
Para os pré-tribulacionistas, esse tempo não
é destinado à purificação da Igreja, pois Cristo já suportou a ira de Deus em
favor dela. A Igreja é chamada a enfrentar tribulações neste mundo (João 16.33 Tenho-vos
dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom
ânimo, eu venci o mundo.
mas é vista como livre da ira escatológica (1
Tessalonicenses 1.10 - E esperar dos céus o seu Filho, a quem ressuscitou
dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura; I Tessalonicenses
5.9 Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação,
por nosso Senhor Jesus Cristo.
Uma observação importante: Ao dialogar com
irmãos que defendem a posição midi-tribulacionista ou pós-tribulacionista, é
recomendável reconhecer que eles também procuram fundamentar sua interpretação
nas Escrituras. A divergência não está em aceitar ou rejeitar a autoridade da
Bíblia, mas em como organizar e interpretar o conjunto das profecias.
Por isso, numa pregação, é geralmente mais
proveitoso dizer: "Entendemos que a interpretação pré-tribulacionista
harmoniza melhor as promessas de livramento feitas à Igreja, a doutrina da
iminência da volta de Cristo e a distinção entre Israel e a Igreja."
Essa forma mantém firme a convicção
doutrinária sem sugerir que quem discorda necessariamente ignora as Escrituras.
Isso costuma tornar a exposição mais sólida e respeitosa, concentrando o foco
no texto bíblico e nos argumentos teológicos.
Conclusão
Apocalipse 3.10 encerra uma das promessas
mais confortadoras dirigidas à Igreja de Cristo. Enquanto o mundo caminha para
um período de juízo sem precedentes, o Senhor assegura que Seu povo não foi
destinado à ira, mas à salvação. A mesma voz que chamou a igreja de Filadélfia
à perseverança continua chamando a Igreja de hoje a permanecer firme, guardando
a Palavra e vivendo em santidade.
A promessa de Cristo estabelece uma relação
clara: quem guarda a Sua Palavra será guardado por Ele. Não se trata de mérito
humano, mas da fidelidade daquele que nunca falha em cumprir Suas alianças. O
Deus que sustentou Noé, protegeu Israel no Egito e livrou Ló antes da
destruição continua sendo o Deus que conhece os Seus e sabe livrá-los no tempo
determinado.
Enquanto muitos vivem preocupados tentando
descobrir quando acontecerá o arrebatamento, Cristo nos chama para algo mais
importante: estar preparados. A expectativa da Sua volta deve produzir
vigilância, santidade, compromisso com a Palavra e fidelidade até o fim.
Talvez o maior desafio da Igreja não seja
identificar os sinais dos tempos, mas permanecer fiel em meio a uma geração que
abandona a verdade. A pergunta que ecoa neste texto não é: "Quando virá a
Grande Tribulação?", mas: "Estou guardando a Palavra de Cristo
hoje?"
Se permanecermos fiéis, podemos descansar na
promessa daquele que não pode mentir:
"Porque guardaste a palavra da minha
perseverança, também eu te guardarei da hora da provação..."
Que essa promessa fortaleça nossa esperança,
renove nossa vigilância e aumente nosso desejo de viver cada dia como se hoje
fosse o dia da volta do Senhor. A Igreja não espera a Grande Tribulação; espera
o seu Salvador. Maranata! Ora vem, Senhor Jesus! (Apocalipse 22.20).
Pastor Adilson Guilhermel
