ONDE ENCONTRAR SEGURANÇA QUANDO SURGEM AS ANGÚSTIAS. Texto base: Salmos 46.1

 

ONDE ENCONTRAR SEGURANÇA QUANDO SURGEM AS ANGÚSTIAS.  Texto base: Salmos 46.1

“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.”

INTRODUÇÃO: O Salmo 46 nasce em um ambiente de crise. O salmista não está falando de uma vida sem problemas; ele está falando de fé no meio dos problemas.

A grande mensagem do Salmo não é: “O povo de Deus nunca enfrentará tribulações.” Pelo contrário, o texto reconhece a existência da angústia. A diferença está em saber onde encontrar segurança quando a angústia chegar.

O salmista não diz que Deus nos livra de toda tempestade antes que ela aconteça. Ele declara que, quando a tempestade chega, Deus continua sendo nosso refúgio, nossa fortaleza e nosso socorro.

No Novo Testamento, essa verdade alcança sua plenitude em Jesus. Cristo não prometeu uma caminhada sem aflições. Ele disse:

João 16.33: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.”

Portanto, nossa segurança não está na ausência de problemas, mas na presença de Deus conosco.

1. DEUS — “ELOHIM” — É A FONTE DE TODA A NOSSA SEGURANÇA

“Deus é o nosso...”

O salmista começa com Deus.

Antes de falar da angústia, ele fala de Deus. Antes de apresentar o problema, apresenta aquele que é maior que o problema.

Elohim é uma designação de Deus que ressalta sua majestade, poder e soberania. O texto coloca Deus no centro da situação.

Isso nos ensina uma verdade fundamental:

Quando Deus está no centro, a crise não ocupa o lugar de Deus.

A Bíblia não apresenta um Deus limitado pelas circunstâncias.

Ele é o Deus que reina quando tudo parece fora de controle.

Jesus demonstrou essa autoridade diversas vezes.

Quando os discípulos estavam no barco durante uma tempestade, eles enxergaram apenas o perigo. Jesus, porém, continuava sendo Senhor sobre a situação.

Marcos 4.39:

“E ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te.”

O vento obedecia a Cristo.

A igreja precisa recuperar esta convicção: o nosso Deus continua soberano mesmo quando não conseguimos compreender aquilo que está acontecendo.

Quando a notícia for ruim, Deus continua sendo Deus.

Quando a porta se fechar, Deus continua sendo Deus.

Quando o recurso diminuir, Deus continua sendo Deus.

Quando o homem disser “não há solução”, Deus continua tendo a última palavra.

Nossa fé não está fundamentada na estabilidade das circunstâncias, mas na estabilidade de Deus.

2. “REFÚGIO” — DEUS É O LUGAR PARA ONDE CORREMOS

“Deus é o nosso refúgio...”

Refúgio é lugar de abrigo, proteção e segurança.

Na linguagem bíblica, a ideia é de alguém que encontra um lugar seguro diante de uma ameaça.

O salmista não diz simplesmente que Deus possui um refúgio. Ele diz que Deus é o nosso refúgio.

Isso é muito mais profundo.

Não estamos apenas procurando algo que Deus possa nos dar. Estamos procurando o próprio Deus.

O problema de muitas pessoas

Quando chegam as tribulações, algumas pessoas procuram primeiro: recursos humanos; influência; dinheiro; amigos; soluções imediatas; respostas na opinião das pessoas.

Tudo isso pode ter seu lugar, mas o cristão precisa aprender a primeira coisa:

“Eu vou correr para Deus.”

O Novo Testamento apresenta Cristo como nosso refúgio

Hebreus 6.18 fala daqueles que “corremos para o refúgio”.

A ideia é maravilhosa: diante do perigo, encontramos segurança nas promessas de Deus.

E Jesus fez um convite extraordinário:

Mateus 11.28:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.”

Cristo continua sendo o lugar seguro para a alma cansada.

Não corra primeiro para o desespero.

Corra para Jesus.

Quando a alma estiver cansada, corra para Jesus.

Quando o coração estiver ferido, corra para Jesus.

Quando não souber o que fazer, corra para Jesus.

Quando a ansiedade tentar dominar seus pensamentos, corra para Jesus.

O refúgio do crente não é uma circunstância favorável; é a presença de Cristo.

3. “FORTALEZA” — DEUS NOS DÁ FORÇA PARA PERMANECER DE PÉ

“Deus é o nosso refúgio e fortaleza...”

O refúgio fala de proteção.

A fortaleza fala de resistência.

Deus não apenas nos esconde do perigo; Ele também nos fortalece para enfrentá-lo.

Há momentos em que Deus remove a batalha.

Mas existem momentos em que Deus nos dá força para permanecer de pé durante a batalha.

Paulo experimentou isso.

Ele pediu que o Senhor removesse o seu espinho, mas recebeu uma resposta:

2 Coríntios 12.9:

“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.”

Paulo descobriu que a graça de Deus era suficiente.

Aqui está uma grande lição:

Nem sempre Deus muda imediatamente a circunstância; às vezes, Ele muda a nossa capacidade de suportá-la.

O que parecia destruir Paulo tornou-se uma oportunidade para experimentar a suficiência da graça.

Efésios 6.10

“Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.”

Observe: não é simplesmente “fortalecei-vos em vocês mesmos”.

É:

“Fortalecei-vos no Senhor.”

A força necessária para vencer a batalha espiritual não nasce da capacidade humana.

Ela vem do Senhor.

4. “SOCORRO” — DEUS NÃO É INDIFERENTE À NOSSA DOR

“...socorro bem presente...”

Socorro significa assistência, auxílio, apoio.

O Deus da Bíblia não é um Deus distante, indiferente ao sofrimento humano.

Ele vê.

Ele ouve.

Ele conhece.

Ele se importa.

No Antigo Testamento, Deus ouviu o clamor de Israel no Egito.

No Novo Testamento, vemos Jesus constantemente se aproximando dos necessitados.

Ele tocou leprosos.

Ele ouviu cegos clamarem.

Ele alimentou multidões.

Ele chorou diante do túmulo de Lázaro.

Ele teve compaixão das multidões.

Tudo isso revela o coração de Deus.

Hebreus 4.15-16

Cristo é apresentado como nosso Sumo Sacerdote que pode “compadecer-se das nossas fraquezas”.

E então vem a grande convocação:

“Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.”

Que palavra poderosa!

“Ajudados em tempo oportuno.”

Há um tempo de Deus para o socorro.

Talvez o socorro não tenha chegado no momento que você imaginava.

Mas isso não significa que Deus tenha abandonado você.

5. “BEM PRESENTE” — DEUS ESTÁ PRESENTE NO MEIO DA TRIBULAÇÃO

“Socorro bem presente na angústia.”

Essa expressão é uma das partes mais consoladoras do versículo.

Deus não é apenas um socorro possível.

Ele é um socorro bem presente.

Ou seja, Ele está perto.

A presença de Deus é maior que a intensidade da crise.

Jesus prometeu:

Mateus 28.20:

“E eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos.”

Não apenas nos dias bons.

Todos os dias.

Nos dias de vitória.

Nos dias de lágrimas.

Nos dias de abundância.

Nos dias de escassez.

Nos dias em que entendemos.

Nos dias em que não entendemos.

Ele está conosco.

E o Novo Testamento acrescenta outra dimensão dessa presença: o Espírito Santo habita no crente.

Jesus declarou: João 14.16-17: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.”

A palavra Consolador aponta para aquele que vem ao lado, auxiliando, fortalecendo e sustentando.

Portanto, para o cristão, a presença de Deus não é apenas uma doutrina distante.

É uma realidade espiritual.

6. “NA ANGÚSTIA” — A FÉ NÃO NEGA A EXISTÊNCIA DA TRIBULAÇÃO

“...na angústia.”

Aqui existe uma verdade que precisa ser ensinada à igreja.

O salmista não diz:

“Deus nos impedirá de passar por qualquer angústia.”

Ele diz:

“Deus é socorro presente na angústia.”

Isso significa que a fé bíblica não é uma negação da realidade.

O cristão pode passar por momentos difíceis.

Pode chorar.

Pode sentir dor.

Pode enfrentar perdas.

Pode experimentar oposição.

Pode atravessar desertos.

Mas não atravessa sozinho.

Jesus foi muito claro:

João 16.33:

“No mundo tereis aflições.”

Observe a palavra:

TEREIS.

Jesus não escondeu a realidade.

Mas imediatamente acrescentou:

“Tende bom ânimo; eu venci o mundo.”

A nossa esperança não está em dizer: “Não haverá tribulação.”

Nossa esperança está em declarar:

“Mesmo na tribulação, Cristo está comigo.”

7. A IGREJA DO NOVO TESTAMENTO ENFRENTOU TRIBULAÇÕES, MAS NÃO FOI ABANDONADA

Quando lemos Atos, encontramos uma igreja que enfrentava oposição.

Paulo e Silas foram presos.

Mas, à meia-noite:

Atos 16.25:

“Orando, cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam.”

Isso é extraordinário!

Eles estavam presos, mas não estavam abandonados.

Estavam feridos, mas ainda adoravam.

Estavam acorrentados, mas a alma estava livre.

A prisão estava ao redor deles, mas Deus estava dentro daquela prisão com eles.

E à meia-noite Deus entrou em ação.

Atos 16.26:

“E, de repente, sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram.”

Aplicação

Talvez alguém esteja vivendo uma “meia-noite”.

Mas meia-noite não significa ausência de Deus.

Pode significar apenas que o dia ainda não amanheceu.

Continue orando.

Continue adorando.

Continue confiando.

Continue permanecendo firme.

Porque o Deus que foi socorro para Paulo e Silas continua sendo socorro para a Igreja.

8. DEUS É NOSSO REFÚGIO, MAS ISSO NÃO SIGNIFICA PASSIVIDADE

É importante compreender:

Confiar em Deus não significa cruzar os braços.

A fé bíblica produz ação.

Neemias orava, mas também trabalhava.

Paulo confiava em Deus, mas continuava pregando.

Os discípulos oravam, mas continuavam anunciando o Evangelho.

A confiança em Deus nos dá coragem para agir.

1 Coríntios 15.58:

“Sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor.”

Porque quem sabe que Deus é sua fortaleza não precisa viver paralisado pelo medo.

9. TRÊS VERDADES PARA LEVAR PARA A VIDA

Salmos 46.1 apresenta três recursos divinos:

1. Quando estivermos ameaçados — DEUS É REFÚGIO

Corra para Ele.

2. Quando estivermos fracos — DEUS É FORTALEZA

Apoie-se nele.

3. Quando estivermos necessitados — DEUS É SOCORRO

Clame a Ele.

E existe uma quarta verdade que sustenta todas as outras:

4. Quando estivermos em crise — DEUS ESTÁ PRESENTE

Não estamos sozinhos.


CONCLUSÃO — QUANDO TUDO TREMER, DEUS CONTINUARÁ DE PÉ

O contexto do Salmo 46 fala de terremotos, águas revoltas, montanhas abaladas e nações em tumulto.

É como se o salmista estivesse dizendo:

“Ainda que tudo ao nosso redor esteja sendo abalado, existe algo que não pode ser abalado: a presença e a soberania de Deus.”

O Novo Testamento confirma essa verdade em Hebreus 12.28:

“Tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça.”

Que palavra poderosa!

Tudo pode mudar, mas Deus não muda.

As circunstâncias podem mudar.

As pessoas podem mudar.

Os recursos podem mudar.

A saúde pode mudar.

O cenário pode mudar.

Mas Deus permanece Deus.

Por isso, quando a angústia chegar, não diga apenas:

“Estou passando por uma grande luta.”

Diga:

“Estou passando por uma grande luta, mas tenho um grande Deus!”

Quando a força acabar: Ele é minha fortaleza.

Quando o medo chegar: Ele é meu refúgio.

Quando eu não souber o que fazer: Ele é meu socorro.

Quando parecer que estou sozinho: Ele está bem presente.

E quando tudo parecer abalado, permaneça firme na promessa: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.”

Não precisamos temer a tempestade quando sabemos quem está conosco dentro do barco.

Não precisamos temer a fornalha quando sabemos que o Senhor está presente no fogo.

Não precisamos temer a prisão quando sabemos que Deus pode entrar na prisão conosco.

Não precisamos temer a tribulação quando sabemos que Cristo venceu o mundo.

O nosso Deus não é apenas o Deus que nos espera depois da tempestade. Ele é o Deus que permanece conosco durante a tempestade!

Ele é o nosso REFÚGIO.

Ele é a nossa FORTALEZA.

Ele é o nosso SOCORRO.

E Ele está BEM PRESENTE!

 

Pastor Adilson Guilhermel