VENDENDO OU SERVINDO O MESTRE? Lucas 22.7-20
Tema: A mesa da aliança:
entre a traição dos homens e o amor do Salvador
INTRODUÇÃO: Lucas 22 nos
conduz a um dos momentos mais solenes da história da redenção. Jesus está às
portas da cruz. A conspiração já está em andamento. Os líderes religiosos
procuram uma oportunidade para eliminá-lo, Satanás atua por meio da disposição
de Judas, e os discípulos ainda não conseguem compreender plenamente a dimensão
dos acontecimentos.
Entretanto, >>>
enquanto os
homens tramam a morte de Jesus, Jesus prepara uma mesa.
Enquanto Judas pensa em
dinheiro, Jesus pensa em redenção.
Enquanto Satanás trabalha
para destruir, Cristo trabalha para salvar.
Enquanto alguns estão
preocupados com aquilo que podem receber, Jesus demonstra aquilo que está
disposto a entregar.
É nesse ambiente que surge
uma pergunta que continua extremamente atual:
Estamos servindo ao Mestre
ou estamos tentando obter alguma vantagem por meio dele?
Judas estava perto de Jesus,
mas seu coração estava distante. Os demais discípulos ainda tinham muitas
imperfeições, mas permaneciam com o Mestre.
A Ceia, portanto, não é
apenas uma lembrança histórica. Ela nos coloca diante de Cristo e nos faz
examinar nossa fidelidade, nossa aliança e nossa disposição de servi-lo.
1. A HORA DA PÁSCOA ERA
TAMBÉM A HORA DA REDENÇÃO - Lucas 22.7
“Chegou, porém, o dia dos
ázimos, em que importava sacrificar a páscoa.”
A Páscoa judaica lembrava a
libertação de Israel do Egito. Um cordeiro era sacrificado, seu sangue estava
associado à proteção e a libertação do povo.Mas aquela Páscoa apontava para
algo infinitamente maior.Jesus estava prestes a cumprir aquilo que todos os
cordeiros sacrificados ao longo dos séculos apenas simbolizavam.
Cristo é o verdadeiro
Cordeiro.
João Batista já havia
declarado:“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.”
(João 1.29)
A Páscoa estava chegando ao
seu cumprimento definitivo.
A igreja não vive
fundamentada apenas em símbolos, cerimônias ou tradições. Nossa fé está
fundamentada em uma Pessoa: Jesus Cristo.
Podemos participar de
cultos, Ceias, campanhas e reuniões, mas nada substitui uma verdadeira
experiência com o Salvador.
Não basta estar à mesa; é
necessário pertencer ao Senhor da mesa.
2. JESUS NÃO FOI
SURPREENDIDO PELOS ACONTECIMENTOS - Lucas 22.8
“E mandou a Pedro e a João,
dizendo: Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos.” Jesus sabia o que
estava para acontecer; a prisão não seria um acidente; a cruz não seria um
improviso; a morte não seria uma derrota inesperada.
Tudo estava caminhando para
o cumprimento do propósito eterno de Deus.
Jesus sabia que Judas o
trairia.
Sabia que Pedro o negaria.
Sabia que os discípulos
fugiriam.
Sabia que seria açoitado,
humilhado e crucificado.
E mesmo sabendo de tudo
isso, Jesus continuou amando.
Existem momentos em que não
compreendemos aquilo que Deus está fazendo. Os discípulos também não
compreenderam.
Mas a falta de compreensão
dos discípulos não significava ausência de propósito em Deus.
Nem sempre entendemos o
caminho, mas podemos confiar naquele que conhece o destino.
3. JESUS PREPAROU UMA MESA
EM MEIO À TEMPESTADE - Lucas 22.9-13
Os discípulos
perguntaram:“Onde queres que a preparemos?”
Jesus então apresenta uma
orientação incomum.
“Eis que, quando entrardes
na cidade, encontrareis um homem levando um cântaro de água; segui-o até à casa
em que ele entrar.” O detalhe chama atenção.
Jesus não simplesmente
revela antecipadamente o local da reunião. Há aqui uma prudência diante da
conspiração que estava se formando.Judas não deveria receber antecipadamente a
informação sobre o local da Ceia.
Jesus estava caminhando
voluntariamente para a cruz, mas não estava se entregando antes da hora
determinada. Existe uma diferença entre fé e imprudência.
Confiar em Deus não
significa abandonar a prudência.
O cristão pode orar e também
planejar.Pode confiar e também vigiar.Pode acreditar na providência divina e,
ao mesmo tempo, agir com sabedoria.
Fé não é irresponsabilidade;
fé também sabe esperar o tempo de Deus.
4. “ONDE ESTÁ O APOSENTO?” —
O MESTRE PROCURA UM LUGAR - Lucas 22.11
“Onde está o aposento em que
hei de comer a páscoa com os meus discípulos?”
Jesus queria um lugar para
estar com seus discípulos.
Hoje podemos transformar
essa pergunta em uma questão pessoal: Há lugar para Jesus dentro de nós?
O Senhor não procura
simplesmente um templo construído por mãos humanas. Ele deseja habitar no
coração daquele que crê.
Paulo declara:“Não sabeis
vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”
(1 Coríntios 3.16)
E ainda:“Ou não sabeis que o
vosso corpo é o templo do Espírito Santo?”(1 Coríntios 6.19)
Há
pessoas que têm espaço para tudo: espaço para negócios; espaço para
entretenimento; espaço para preocupações; espaço para redes sociais; espaço
para projetos pessoais; mas quase não têm espaço para Cristo.
Jesus não quer apenas
visitar o coração como um viajante que passa uma noite. Ele quer fazer dele sua
morada. Não entregue a Jesus apenas um cômodo da sua vida; entregue-lhe a casa
inteira.
5. JUDAS ESTAVA À MESA, MAS
SEU CORAÇÃO ESTAVA NO DINHEIRO - Lucas 22.14
“E, chegada a hora, pôs-se à
mesa, e com ele os doze apóstolos.”
Jesus está à mesa com os
doze. Inclusive Judas.
Judas estava fisicamente
perto de Jesus, mas espiritualmente estava se afastando dele.Ele havia decidido
entregar o Mestre.
“Vendendo ou servindo o
Mestre?”
Essa pergunta precisa
atingir a igreja de nossos dias.
Judas transformou seu
relacionamento com Jesus em uma oportunidade financeira.
Ele não perguntou: “O que
posso fazer pelo Mestre?”
Sua atitude revelava:“O que
posso ganhar com o Mestre?”
Essa mentalidade continua
perigosa.
Quando alguém segue Jesus
apenas por aquilo que pode receber, seu relacionamento com Cristo se torna
utilitário.
Precisamos examinar nossas
motivações.
Estamos servindo porque
amamos? Ou servimos apenas quando recebemos reconhecimento? Oramos porque
amamos Deus? Ou somente quando precisamos de alguma coisa? Pregamos porque
queremos salvar vidas? Ou porque desejamos aplausos? Cantamos porque adoramos? Ou
porque queremos aparecer?
Quem serve a Cristo somente
pelo que recebe, abandona Cristo quando o benefício desaparece.
6. JESUS DESEJAVA AQUELA
COMUNHÃO - Lucas 22.15
“Desejei muito comer
convosco esta páscoa, antes que padeça.”
Este talvez seja um dos
versículos mais emocionantes do texto.
Jesus sabia que iria sofrer.
Sabia que a cruz estava
diante dele.
Sabia que seria abandonado.
Sabia que seria traído.
Mas disse:“Desejei muito
comer convosco.”
A humanidade de Jesus
aparece de maneira profundamente bela. Ele desejava comunhão com seus
discípulos. Precisava daquele momento de intimidade antes da cruz.
A igreja precisa recuperar o
valor da comunhão. Vivemos em uma época de muitas conexões virtuais e,
paradoxalmente, de grande solidão.
Podemos ter centenas de
contatos e poucos relacionamentos verdadeiros.
A mesa representa comunhão.
A Ceia representa comunhão.
A igreja representa
comunhão.
Cristianismo não foi
projetado para ser vivido no isolamento.
Hebreus 10.25 nos exorta a
não abandonarmos nossa congregação.
7. “ISTO É O MEU CORPO” — O
AMOR QUE SE ENTREGA - Lucas 22.19
“Isto é o meu corpo, que por
vós é dado; fazei isto em memória de mim.”
Aqui está o coração da
mensagem.
Jesus não estava apenas
falando sobre pão.
Ele estava apontando para
sua entrega.“Por vós é dado.”
O cristianismo nasce de uma
entrega.
Cristo não veio simplesmente
ensinar bons princípios.
Ele veio entregar sua vida.
Isaías havia
profetizado:“Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas
iniquidades.”(Isaías 53.5)
Paulo declara:“Cristo morreu
por nossos pecados.”
(1 Coríntios 15.3)
Quando participamos da Ceia,
lembramos que nossa salvação não foi barata. Não fomos comprados por prata ou
ouro. Fomos alcançados pelo sangue de Cristo. A Ceia deve produzir gratidão,
reverência e compromisso.
Na mesa, Jesus não pergunta
quanto podemos pagar; Ele nos lembra quanto custou para nos salvar.
8. O CÁLICE REPRESENTA A
NOVA ALIANÇA - Lucas 22.20
“Este cálice é o novo
testamento no meu sangue, que é derramado por vós.”
Aqui está a transição da
antiga para a nova aliança.
O sangue de Cristo
estabelece uma nova relação entre Deus e aqueles que creem.
Hebreus 9.18 mostra a
importância do sangue no contexto das alianças.
Jesus estava apontando para
a cruz.
Seu sangue seria derramado.
Sua morte estabeleceria a
nova aliança.
O crente não vive tentando
conquistar a salvação por seus próprios méritos. Ele vive pela graça de Deus. Não somos sustentados por nossa perfeição,
mas pela obra perfeita de Cristo.
Por isso, a Ceia deve
renovar em nós a consciência: “Eu pertenço a Cristo.”
9. A CEIA APONTA PARA O
PASSADO E PARA O FUTURO - Lucas 22.16,18
Jesus faz referências ao
Reino de Deus.
A Ceia olha para
trás:“Cristo morreu por mim.”
Mas também olha para
frente:“Cristo voltará.”
A igreja não vive apenas de
memória.
Ela vive também de
esperança.
O sangue aponta para a cruz.
O pão aponta para o corpo
entregue.
A mesa aponta para a
comunhão.
E a promessa aponta para o
Reino.
Apocalipse 19 apresenta a
grande celebração das bodas do Cordeiro.
Toda vez que a igreja
participa da Ceia, ela proclama: Cristo morreu. Cristo ressuscitou. Cristo
voltará.
Por isso Paulo
afirma:“Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice
anunciais a morte do Senhor, até que venha.”(1 Coríntios 11.26)
10. A CEIA NOS ENSINA QUE
PRECISAMOS NOS ALIMENTAR DE CRISTO
Assim como nosso corpo
necessita de alimento para possuir vigor físico, nossa vida espiritual
necessita de alimento espiritual.
Jesus ensinou:“Nem só de pão
viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.”(Mateus 4.4)
Precisamos nos alimentar da
Palavra; precisamos de oração; precisamos de comunhão; precisamos de adoração; precisamos
meditar em Cristo; Precisamos aplicar sua Palavra à nossa vida.
Não existe cristão
espiritualmente forte vivendo permanentemente de migalhas espirituais.
Para resistir à tentação - Precisamos
de Cristo.
Para suportar as provações -
Precisamos de Cristo.
Para continuar servindo - Precisamos
de Cristo.
Para permanecer fiéis - Precisamos
de Cristo.
Quem deixa de se alimentar
espiritualmente começa a perder forças antes mesmo de perceber que está
enfraquecendo.
11. A MESA TAMBÉM É LUGAR DE
EXAME
A presença de Judas na mesa
nos lembra de algo solene:estar perto das coisas sagradas não significa
necessariamente estar em comunhão com Deus.
É
possível: estar dentro da igreja e fora da vontade de Deus; cantar e não
adorar; pregar e não viver; participar da Ceia e não discernir o corpo de
Cristo; carregar uma Bíblia e não obedecer à Palavra.
Por isso Paulo recomenda o
autoexame:“Examine-se, pois, o homem a si mesmo...”(1 Coríntios 11.28)
A pergunta não é
apenas:“Estou na igreja?”
A pergunta é:“Cristo está
governando minha vida?”
12. VENDENDO OU SERVINDO O
MESTRE?
Judas perguntou: Quanto
vocês me darão?
Jesus disse:“Isto é o meu
corpo, que por vós é dado.”
Que contraste!
Judas pensa em receber.
Jesus pensa em dar.
Judas pensa em dinheiro.
Jesus pensa em almas.
Judas entrega Jesus por
prata.
Jesus entrega sua vida pelos
pecadores.
Judas pergunta quanto vale o
Mestre.
Jesus demonstra quanto vale
a humanidade para Deus.
E nós? Precisamos decidir de
que lado estamos.
Estamos vendendo ou servindo
o Mestre?
Não precisamos vender Jesus
por trinta moedas para traí-lo.
Às vezes o mundo oferece
muito menos.
Alguns
trocam sua fidelidade por: dinheiro; posição; reconhecimento; prazer; poder;
relacionamento; aprovação humana; comodidade.
Judas vendeu Jesus por
dinheiro; hoje muitos não o vendem por dinheiro, mas o abandonam por aquilo que
o dinheiro pode comprar.
13. A IGREJA DEVE SERVIR,
NÃO USAR O MESTRE
Jesus não nos chamou para
transformá-lo em instrumento dos nossos interesses.
Ele nos chamou para
servi-lo.
A verdadeira pergunta do
discípulo não é:“Senhor, o que o Senhor pode fazer por mim?”
Mas:“Senhor, o que queres
que eu faça?”
Paulo perguntou isso quando
encontrou Cristo:
“Senhor, que queres que
faça?”(Atos 9.6)
Essa deve ser também a
oração da igreja.
Não somos donos de Cristo;
somos servos de Cristo.
14. A MESA SE ESTENDE ATÉ
NÓS
Imagine aquela mesa.
Jesus está no centro.
Os discípulos estão ao
redor.
Aquele momento aconteceu há
quase dois mil anos, mas sua mensagem chegou até nós.
A mesa atravessou os
séculos.
Chegou à igreja. Chegou às
nossas congregações.
E hoje, quando participamos
da Ceia, somos chamados a olhar para o mesmo Cristo.
Não estamos simplesmente
repetindo uma cerimônia.
Estamos proclamando nossa fé
naquele que: foi entregue por nós, morreu por nós, ressuscitou por nós e
voltará para nos buscar.
CONCLUSÃO — A ÚLTIMA
PERGUNTA DA MESA
Lucas 22 nos coloca diante
de dois movimentos completamente diferentes.
Judas estava pensando em
vender.
Jesus estava pensando em entregar.
Judas pensava:“Quanto eu
ganho?”
Jesus demonstrava:“Quanto
estou disposto a dar?”
Judas representa o coração
que transforma o relacionamento com Deus em negócio.
Jesus revela o coração de
Deus, que entrega seu próprio Filho para salvar.
E agora a pergunta chega até
nós: O que estamos fazendo com Jesus? Estamos apenas frequentando sua mesa? Estamos
usando seu nome? Estamos buscando suas bênçãos? Ou estamos realmente servindo
ao Mestre?
A Ceia nos chama novamente à
cruz.
O pão nos lembra do corpo
entregue.
O cálice nos lembra do
sangue derramado.
A mesa nos lembra da
comunhão.
A aliança nos lembra da
graça.
E a promessa nos lembra: “Até
que venha.”
Judas perguntou quanto Jesus
valia; a cruz respondeu quanto nós valemos para Deus.
E quando nos aproximarmos da
mesa do Senhor, que não sejamos encontrados como aqueles que querem apenas
receber alguma coisa de Cristo, mas como discípulos que podem dizer:
“Senhor, minha vida pertence
a Ti. Não quero vender o Mestre; quero servi-lo até o fim.”
Pastor Adilson Guilhermel
Visite esse site>>>Portal EBD – Lições, Comentários e Esboços
Nenhum comentário:
Postar um comentário